Nos últimos anos temos vivido um movimento de mais conscientização quanto às questões ambientais e vários itens que sempre foram descartáveis como: garrafas de água, copos plásticos, canudos, estão sendo fabricados também em materiais duradouros para evitar a grande quantidade de lixo que é gerada pelo uso desses produtos.
Nessa leva de pensamento mais sustentável, começou a ser pensado se haveria alternativas para os absorventes descartáveis que também são responsáveis por uma quantidade gigantesca de lixo que demorará centenas de anos até ser destruído pela natureza. Cada mulher que usa apenas absorventes descartáveis durante toda a vida menstrual, que tem cerca de 450 ciclos, gerará aproximadamente 150 kg de lixo em absorventes. Esse lixo fica acumulado em lixões e aterros, mas também é despejado nos oceanos, rios e lagos, afetam a vida animal e todo o ecossistema do planeta.
O movimento de procura de produtos reutilizáveis nada mais é do que uma volta às origens. Até algumas décadas atrás, não existiam produtos de menstruação reutilizáveis e nossas avós usavam paninhos menstruais que elas lavavam e reutilizavam.
O uso de absorventes descartáveis cresceu exponencialmente nas últimas décadas com a publicidade vendendo facilidade, limpeza, modernidade. Mas será que esses produtos são MELHORES que os de pano para a nossa saúde?
Fugindo um pouco da questão ambiental, pensa comigo uma coisa: será que um produto com vários químicos, plástico, produzido na indústria em larga escala, por empresas que visam o lucro é mais ou menos tóxico do que um tecido 100% algodão para a sua vulva?
Sabe alergia aos absorventes?
Então… esses produtos (internos e externos) possuem vários aditivos que são colocados no algodão e no plástico que estão nos absorventes para “matar bactérias”, “melhorar o cheiro”, absorver mais” e que podem causar irritações na região da vulva e vagina e até mesmo doenças em algumas pessoas.
Tem a questão de ser mais rápido e fácil você simplesmente rasgar o saquinho e depois jogar no lixo um absorvente descartável, em vez de usar um absorvente reutilizável ou calcinha menstrual e ter que lavar esse tecido depois; mas eu penso que poderíamos comparar essa situação com: passar no drive-through e pegar um fast food ou cozinhar uma comida de verdade em casa. Um é mais fácil, mas qual é melhor?
Quando começamos a usar produtos naturais para absorver nosso sangue também entramos em contato, pela primeira vez, com as reais características do sangue menstrual. Quando nosso sangue entra em contato com as químicas que existem nos absorventes descartáveis essa mistura é responsável pelo cheiro característico (HORRÍVEL) de menstruação + absorvente. Qual a minha surpresa, quando comecei a usar coletores e calcinhas menstruais, que nosso sangue não tem NENHUM cheiro ruim! Ele tem cheiro de… sangue, apenas, não fede.
Quando usamos principalmente coletor, mas também calcinhas e absorventes de pano, podemos identificar as características do nosso sangue como quantidade, cheiro, cor, presença de coágulos ou não, liquidez. Tudo isso entra no nosso estudo do ciclo menstrual. O sangue pode mudar de mês a mês dependendo de coisas que estão acontecendo. Quando usamos os descartáveis não é possível analisar nada disso.
Convido quem tiver interesse nesse assunto, curiosidade de testar uma forma diferente de vivenciar a menstruação, a ler sobre esse assunto, assistir vídeos sobre, buscar mais informações para começar a mudança para uma menstruação mais sustentável e saudável.
Deixo aqui embaixo um vídeo do meu canal do YouTube sobre absorventes reutilizáveis e calcinhas menstruais, se tiverem duvidas ou quiserem indicações de marcas podem entrar em contato comigo lá no Instagram!!
Dra Amanda Loretti estudou medicina na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, e foi nessa mesma instituição que realizou suas residências médicas em Obstetrícia, Ginecologia e Medicina Fetal. Depois de formada ainda realizou especialização em Ginecologia Endócrina e hoje em dia atua principalmente em obstetrícia humanizada, ginecologia e sexualidade. Atende presencialmente em seu consultório em São Paulo, ou via telemedicina.