Quem tem medo da menopausa?

Hoje em dia estamos falando muito mais desse assunto de forma mais aberta, e assim deve ser, já que a menopausa acontece, na maioria das vezes, na metade da vida da mulher, de forma que viveremos muitos anos nessa fase de vida pós menopausa. Hoje em dia, com acompanhamento e tratamento adequado, é possível ter uma ótima qualidade de vida na transição menopausal e pós menopausa, não apenas quanto à melhora de sintomas, mas buscando uma vida plena, feliz, com prazer e saudável.

Neste texto você vai encontrar os principais pontos para te guiar nessa fase de transição para que você comece a entender o que está acontecendo no seu corpo, mente e emoções.

O que é a menopausa?

A menopausa é uma data. Ela é a data da sua última menstruação. Só podemos afirmar que tal dia foi sua menopausa, quando observamos um ano sem sangramento menstrual. A menopausa divide sua vida menstrual entre pré menopausa e pós menopausa sendo o período mais importante aquele de transição menopausal que consiste nos anos anteriores e nos primeiros anos após a menopausa.

É no período de transição menopausal, ou climatério, que a mulher pode apresentar diversos sintomas e mudanças de padrões que podem ser incômodos, e é nessa fase que podemos intervir para melhorar a qualidade de vida, tanto na transição, como no futuro. Devemos atuar no tratamento das principais queixas, e também na prevenção de algumas doenças que aumentam de risco a partir da menopausa, como doenças cardiovasculares, demência e osteoporose.

Por que ela acontece?

A menopausa acontece por uma falha de função do tecido ovariano. Nossos ovários têm duas principais funções ao longo da vida: produção dos hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) e ovulação.

A produção dos hormônios sexuais é importante para diversas funções no corpo da mulher e é a queda desses hormônios que é a responsável pelos sintomas da transição menopausal e pós menopausa.

Alguns exemplos das diversas funções desses hormônios:

– O estrogênio é importante para a função cerebral, memória, velocidade de raciocínio, regulação térmica do corpo, saúde dos ossos e dos músculos, manutenção da saúde da pele e cabelo, saúde mental, humor, sono, entre outros.

– A progesterona é o hormônio do relaxamento, ajuda no equilíbrio do sono, humor, saúde do cérebro, é essencial para a fertilidade e gravidez.

O estrogênio está presente na maioria dos dias do ciclo menstrual enquanto a progesterona está presente apenas na segunda metade no ciclo, na fase lútea (pós ovulatória). Juntos esses hormônios permitem uma ovulação adequada e preparam o útero para receber o embrião, além de serem importantes para a manutenção e desenvolvimento de uma gravidez saudável.

A ovulação é o fenômeno de soltura de um óvulo saudável e depende do equilíbrio dos hormônios sexuais. É através dela que o ovário tem sua função de reprodução humana.

Com o tempo, com o envelhecimento do tecido ovariano, eles vão perdendo a capacidade de exercer de forma eficiente essas duas funções. A função reprodutora (a capacidade de ovular óvulos saudáveis que sejam capazes de gerar gravidez) é perdida cerca de 10 anos antes da menopausa; e é quando o ovário perde a função da produção equilibrada dos hormônios ovarianos que entramos na menopausa, fase em que não temos mais esses hormônios sendo produzidos ou circulando no nosso sangue.

A mulher continua ovulando até entrar na menopausa, mas a qualidade desses óvulos deixa de ser ótima anos antes. Por exemplo, as taxas de gestação natural após 43 anos são menores do que 1%, enquanto a idade média de menopausa (parada de produção dos hormônios) é de 50 – 52 anos no Brasil.

A perda da função ovariana não acontece de um dia para o outro, e sim aos poucos, com momentos de “altos e baixos” ao longo dos anos anteriores à menopausa. É por isso que os sintomas também podem aparecer e desaparecer em ciclos e nem sempre é simples entender que estamos entrando no climatério.

Quais são os sintomas da transição menopausal? Como saber que estou entrando nessa fase?

Os sintomas mais conhecidos e mais “clássicos” do climatério são: ciclo menstrual irregular com ciclos longos ou ausência da menstruação, os calorões ou ondas de calor (fogachos, sintomas vasomotores) e a secura vaginal com dor na relação sexual (atrofia da menopausa, síndrome genito-urinária da menopausa).

Esses sintomas são causados por baixos níveis de estrogênio no corpo e costumam aparecer em uma fase mais tardia da transição menopausal, como, em média, nos dois anos antes da menopausa.

Os sintomas vasomotores são comumente conhecidos como “ondas de calor” e são descritos como um calor súbito na região superior do corpo, tórax, pescoço e cabeça, uma sensação de calor que sobe para a cabeça. Pode ser acompanhado de aumento dos batimentos cardíacos, mal estar e seguido de um suor importante. Eles costumam ser mais comuns a noite; e podem ser mais raros, com alguns eventos por semana, ou bem presentes como, por exemplo, mais de 10 eventos por dia. A depender da frequência e intensidade, os fogachos podem ser extremamente incômodos, prejudicando a qualidade de vida da mulher, sono, trabalho, etc. Esses sintomas podem aparecer nos anos anteriores da menopausa e durar alguns anos na pós menopausa, de 2-8 anos na média, mas eles vão cessar. Os sintomas vasomotores acontecem devido a baixa de estrogênio em uma área do cérebro que regula a temperatura corporal e eles são transitórios no climatério, mesmo que demore alguns anos, eles param após um tempo na fase pós menopausa quando seu corpo se regula com os novos níveis de estrogênio (baixos).

Os sintomas vaginais na menopausa são descritos como secura na região, pele e mucosa mais finas, menos elásticas, redução do tamanho da vulva e clitóris, dificuldade e dor na penetração vaginal, baixa lubrificação e redução da sensibilidade do clitóris e da capacidade orgástica. Esses sintomas são o reflexo do baixo estrogênio na pele e mucosa do genital e, diferente dos fogachos que param de acontecer após um tempo, a síndrome genito-urinária da menopausa é progressiva, piorando com o aumento da idade. Esse sintoma é um dos motivos para a extrema importância do acompanhamento de todas as mulheres passando pela transição menopausal, mesmo aquelas que não estão com muitos sintomas, já que a atrofia genital vai acontecer uma hora ou outra e é possível preveni-la.

Mas esses não são os únicos sintomas que podem incomodar nessa fase de transição menopausal. Até 10 anos antes de efetivamente entrar na menopausa, a mulher pode começar a apresentar uma disfunção da progesterona que pode causar sintomas menos típicos e bem genéricos, mas que já são do climatério precoce.

Mulheres com mais de 40 anos podem apresentar maiores problemas no período pré menstrual com maior labilidade emocional, piora do sono, cansaço, questões mentais como perda de memória, “brain fog” (uma “neblina no pensamento”), irregularidades do ciclo menstrual com ciclos mais curtos, aumento do sangramento menstrual e escapes na fase pré menstrual. Essa transição menopausal mais precoce pode trazer sofrimento por uma sensação que a mulher “não é a mesma”, que “tem algo estranho acontecendo, não me sinto normal”, mas como esses sintomas são inespecíficos e podem ser causados também por stress, pela própria alteração de sono, e como essa disfunção de progesterona não é algo que vemos nos exames de sangue, muitas mulheres com essas queixas demoram muitos anos para encontrar um médico que as ouça e consiga ajudá-las.

Se você está nessa faixa etária e tem sentido uma piora global da qualidade de vida com esses sintomas, procure alguém especialista em climatério pois existe tratamento para essas questões, mesmo vários anos antes da sua menopausa!

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da menopausa é clínico, ele acontece ao se observar a ausência de menstruação por um ano, na faixa etária comum de menopausa. No Brasil, a idade média da menopausa é 50 – 52 anos. A mulher pode apresentar sintomas como os citados acima, mas é possível que não haja uma queixa clínica, a não ser pela alteração do ciclo menstrual, é raro, mas é possível.  

O diagnóstico também pode ser confirmado através de exames laboratoriais com a dosagem do hormônio FSH (hormônio folículo estimulante) que fecha diagnóstico de menopausa quando em doses maiores que 40 mUi/ml (pela maioria dos estudos). Nos exames de sangue também podemos observar baixos níveis de estradiol (estrogênio).

Na prática, o mais comum é receber uma mulher que tem notado alterações de ciclo menstrual com ciclos mais curtos inicialmente e depois mais longos, se tornando irregular, sintomas típicos, como os citados acima, e, ao fazer os exames de sangue, percebemos um FSH alto.

Quando a menopausa acontece antes dos 40 anos, ela é chamada de menopausa precoce e é considerada uma patologia hormonal que precisa ser tratada da forma adequada para minimizar os riscos que ela pode acarretar para o futuro dessa mulher.

Como é o tratamento?

O tratamento da menopausa fisiológica não é obrigatório e deve ser direcionado aos sintomas que a mulher sente. Mulheres que passam pela transição menopausal sem grandes problemas não precisam de tratamento, apenas de acompanhamento de rotina para prevenção em ginecologia.

O tratamento, quando necessário, pode ser desde tratamentos naturais fitoterápicos para alívio dos sintomas, a depender de quais questões cada mulher tem, até a terapia de reposição hormonal que é a prescrição de hormônios para repor no corpo a progesterona e o estrogênio que estão em falta no climatério e na pós menopausa.

A escolha de qual é o melhor caminho no tratamento depende de diversos fatores, desde a opinião da paciente sobre o que ela prefere, se existe indicação do uso de hormônios e se não existem contraindicações ao uso deles, como, por exemplo, nos casos de câncer de mama.

Com a tecnologia atual dos tratamentos da transição menopausal, é possível melhorar muito a qualidade de vida das mulheres que sofrem com sintomas desafiadores dessa fase com segurança, seja usando ou não hormônios.

É de extrema importância o acompanhamento médico de todas as mulheres passando pela transição menopausal para garantir uma melhor qualidade de vida e segurança em saúde física, mental, emocional e sexual.

Busque ajuda!!

 

 

O vídeo abaixo é uma aula sobre sintomas da menopausa em que eu abordo em mais detalhes esse tema, ele faz parte de uma playlist no meu canal do YouTube sobre essa fase da vida da mulher que contém outros vídeos bem completos sobre tratamento e outros aspectos importantes.

https://www.youtube.com/watch?v=2H65Xj-PPiQ&list=PLFXAowq62mERiuYlOtqEid-gdyFxPzwAV&index=8

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Dra Amanda Loretti estudou medicina na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, e foi nessa mesma instituição que realizou suas residências médicas em Obstetrícia, Ginecologia e Medicina Fetal. Depois de formada ainda realizou especialização em Ginecologia Endócrina e pós graduação em Terapia Sexual e hoje em dia atua principalmente com ginecologia natural, obstetrícia humanizada e sexualidade positiva. Atende presencialmente em seu consultório em São Paulo, ou via telemedicina, além de produção de conteúdo em saúde na internet desde 2017.

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