Os DIUs, junto com o implante subdérmico, são conhecidos como métodos anticoncepcionais de longa duração.
Eles são queridinhos de muitos médicos e pacientes pois possuem uma taxa de segurança para prevenção de gravidez maior do que os métodos que exigem que o paciente lembre de tomar o comprimido, ou trocar o adesivo (chamados de curta duração).
DIU significa “dispositivo intrauterino”. Ele é uma peça de plástico tratada com metais ou hormônios que fica dentro da cavidade endometrial no útero agindo como anticoncepcional por diferentes vias a depender do tipo.

O que é?
O DIU de cobre é uma peça de 4 cm de plástico revestida em sua haste central e, dependendo da marca, também lateral com fios de cobre. Os íons de cobre são liberados no endométrio (camada interna do útero) e agem impedindo que os espermatozoides consigam se movimentar e “nadar” de forma efetiva e acaba por mata-los antes que eles progridam para encontrar o óvulo. Ele pode durar até 10 anos no útero mantendo sua segurança para prevenção de gravidez.
Ele não possui hormônios e, portanto, não interfere com a produção hormonal natural da mulher, não altera a ciclicidade do ciclo menstrual, permitindo que a paciente continue vivenciando as diferentes fases do ciclo e todos benefícios desse “não bloqueio”.
Mecanismo de ação
O mecanismo de ação do DIU de cobre é impedir o encontro do espermatozoide com o óvulo impedindo a fecundação. Como sua ação é local no útero e ele não possui hormônios, não há alteração da função ovariana. Os ovários das mulheres com DIU de cobre continuam sua função com antes, sem alterações. A mulher continua ovulando segundo seu equilíbrio hormonal basal. Isso quer dizer que o DIU de cobre permite que a mulher vivencie seu ciclo menstrual sem o bloqueio causado pelos métodos hormonais como pílulas, adesivos, anel, implante e injeções.
O DIU de cobre começa a fazer efeito no momento da inserção e quando retirado seu efeito cessa podendo a mulher gestar já na próxima ovulação após a retirada.
Efetividade – é realmente seguro para evitar gravidez?
O DIU de cobre é um dos métodos mais seguros para prevenção de gravidez junto com os DIUs hormonais e o implante subdérmico. Seu Índice de Pearl é 0,6 para o uso perfeito e 0,8 para o uso habitual, o que significa que de 1000 mulheres usando DIU de cobre apenas 8 irão ter uma falha de método durante um ano de uso. Para ter noção de comparação: a pílula, por exemplo, possui um Índice de Pearl de 3%, ou 30 mulheres em 1000.
Por ter ação local, no útero, é muito importante que o DIU esteja na localização correta que é completamente dentro da cavidade do endométrio, ele não pode estar no colo do útero e nem perfurando as paredes desse órgão. Se ele estiver na posição correta sua efetividade é muito alta. A informação de bebês nascidos de mulheres que estavam usando DIU é supervalorizada o que gerou esse mito de que o DIU tem uma taxa de falha alta, o que é uma mentira. Se você tem um DIU não hormonal bem posicionado sua chance de gestação é 0,8% ao ano, o que é considerado bem baixa.

Inserção
A inserção do DIU é um procedimento que pode ser realizado no consultório médico sem anestesia ou com anestesia local que reduz o incomodo, mas a paciente ainda sim sente a inserção; ou pode ser inserido com a paciente sob sedação no hospital.
A dor da inserção em consultório costuma ser bem tolerável, mas a opção de inserção deve ser a que deixa a paciente mais confortável e tranquila, essa escolha é individual.
Para saber mais detalhes sobre a inserção do DIU clique aqui.
Possíveis efeitos colaterais
Como esse método é não hormonal, sua ação é reservada ao útero, não havendo substâncias com ação sanguínea ou a distância, motivo pelo qual não existem efeitos colaterais sistêmicos comuns dos anticoncepcionais como dor nas mamas, alterações de peso, dor de cabeça, mudanças na acne ou qualquer outro sintoma no resto do corpo.
Existem dois possíveis efeitos colaterais que são comuns em usuárias do DIU de cobre que são: aumento do fluxo e aumento da cólica menstrual.
O aumento do fluxo diz respeito principalmente ao aumento da quantidade de sangramento no período menstrual, mas pode também acontecer de aumentar um pouco a duração. Esse aumento é notado pela maioria das mulheres com DIU de cobre, mas geralmente não é um aumento que cause transtornos. Quanto a cólica, é muito variável de pessoa para pessoa, mas ter um aumento da sensibilidade do útero na menstruação é algo que a paciente deve estar preparada, pois pode acontecer. Na imensa maioria dos casos esse discreto aumento de cólica não é algo que atrapalhe a vida da paciente, mas, assim como todos os métodos anticoncepcionais, existem algumas pacientes que não toleram o DIU apresentando dores mais fortes. Não tem como saber se você se encontra nesse grupo menor de pacientes que terá uma má adaptação, não é algo que possamos prever.
Outro possível efeito colateral, principalmente nos primeiros meses após a inserção, são sangramentos de escape. Escape é um sangramento em pequena quantidade, que pode ser amarronzado ou vermelho, mas que é muito menos do que uma menstruação. Ele pode aparecer por um dia ou alguns dias e ocorre em períodos do ciclo menstrual que não são a fase da menstruação. Escapes são muito comuns nos primeiros meses após o DIU e podem fazer parte da fase de adaptação, mas geralmente cessam após esse período.
Período de adaptação
O período de adaptação são os meses seguintes após a inserção, principalmente os 3 a 6 primeiros meses. Quando você opta pela inserção de um DIU de cobre, que é um método de longa duração, você deve estar ciente de que pode ter alguns sintomas desagradáveis nos primeiros meses. A grande maioria das mulheres passa a não ter mais esses sintomas após o período de adaptação. Salvo raras exceções, a decisão de tirar um DIU por não adaptação deve ser idealmente tomada após esse período, quando realmente foi constatado que os sintomas permaneceram e a mulher não quer mais o método, situação incomum.
Retirada
A retirada do DIU é simples e realizada no consultório quando a paciente tiver desejo de retirar por qualquer motivo.
Outros DIUs não hormonais

Existem diferentes formatos e tamanhos de DIU de cobre que possuem algumas discretas diferenças com o DIU de cobre clássico, como o tempo de duração da ação que pode variar de 3 a 10 anos, mas as informações deste texto podem ser usadas para todos os DIUs não hormonais.
O DIU de cobre com prata é muito similar ao DIU de cobre possuindo também poucas diferenças que eu explico em um texto aqui do blog.
Se quiser saber mais informações sobre esse método anticoncepcional assista o vídeo abaixo em que eu explico em detalhes esse método!
No meu canal do YouTube tem uma playlist com vários vídeos sobre DIUs não hormonais, se quiserem saber mais assistam!!
Dra Amanda Loretti estudou medicina na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, e foi nessa mesma instituição que realizou suas residências médicas em Obstetrícia, Ginecologia e Medicina Fetal. Depois de formada ainda realizou especialização em Ginecologia Endócrina e hoje em dia atua principalmente em obstetrícia humanizada, ginecologia e sexualidade. Atende presencialmente em seu consultório em São Paulo, ou via telemedicina.